16 de jun. de 2006

Verdade e originalidade X mediocridade



Ao fim de algum tempo sem aqui postar acordei hoje, com disposição... vamos lá.

Só poderia sair uma crítica, resultado de conversa com a minha amiga Margarida Matos, onde falamos do tema: A facilidade e a irresponsabilidade dos "amo-tes" que andavam no mercado. O que me assusta e que hoje em dia até nem é preciso tanto, para os relacionamentos fluírem. Andamos num mundo onde e normal ouvirmos, " sinto-me atraído por ti", "quero ir pra cama contigo". Homens e mulheres estão abertos a ouvir e dizer o que pensam e o que querem.

Aqui fica a pergunta: Por que então gritar a treta dos amo-tes sem saber exactamente o que isso significa? Amor não se diz...se vive. Mas... para a maior parte das pessoas e como as escritas na areia a beira mar, lá vem a onda, apaga, e se pode escrever amo-te outra vez com um nome diferente à frente.


Além dessa futilidade nos amo-tes repararam como o nosso povo é pouco original até nos apelidos carinhosos, nos elogios, tenho reparado na falta de originalidade. Chama-se fofinho á um e aos outros que se seguem, coisa linda, amore à uma e as outras que se seguem, será que no mundo da modernidade a falta de originalidade é tanta ou é mais fácil assim gerir os contactos, de maneira a que não escape a palavra da de ontem para a de hoje.

E frases do tipo: "esse teu olhar", "és tão divertido", "ui o teu sorriso", será que e preciso usar sempre as mesmas frases de engate, sem nem reparar que a "Maria" até sofre de estrabismo, e que a frase "esse teu olhar" pode parecer ironia? Ou que o "Manel" até nem tem assim os dentes tão tratadinhos... e "ui o teu sorriso" pode parecer "devias ir ao dentista"???

Somos diferentes, não temos as mesmas qualidades, os mesmos traços, uns os rostos mais perfeitos, outros o corpo, para quem valorize isso, dado que é mais fácil gritar qualidades do que se por fora, formular frases para almas especiais, não e tão fácil, será muito difícil tentar pensar por uns minutos, naquela doce pessoa que até estamos a pensar levar pra cama e tecer uma frase original, PRA ELA, arranjar um nomezinho bonitinho PRA ELE ????

Que tal sermos originais???? Ahhh????

E agora não e preciso dizer "amo-te" para levar quem quer que seja pra cama, informo, estamos em pleno sec XXI, se deram conta????

2 de jun. de 2006

COISAS QUE NÃO ENTENDO


Quem sabe um dia eu entenda as coisas que acontecem... Das pessoas, gostaria de entender não o que dizem, pois isso e tão simples, tão fácil, gostaria de entender seu silêncio, suas fugas, suas variações de atitude.

Brincadeiras sem sentido, palavras diferentes, gostar e não gostar. Querer e não querer. Não ter o que se quer e aprender a conviver com isso...com um sorriso nos lábios, pois não a sociedade exige isso, os "amigos" exigem isso, pessoas bem dispostas, pessoas bonitas, tenta ficar na fossa,ficar triste, ficar sem dinheiro, ficar sentimental...vê em quanto tempo as pessoas simplesmente desaparecem.

Valorizar quem gosta da gente...complicado não??? Valorizamos normalmente quem não valoriza, quem não tá nem ai. A vida é diversa e brinca diariamente com o nosso percurso. Abro os olhos e não mando no incontrolável coração, afinal quem manda??? Vou seguindo o ritmo do vento. Do que parece ser o meu querer. Mas um dia as coisas cansam, os ventos mudam de rumo e muitas vezes. Não como fugir... e a gente pega outra estrada... transforma os desejos.

Sei que a vida está muito cheia de coisas diferentes. Sempre que os tumultos acontecem são seguidos de dias de calmaria. Esse é o meu medo.

Mudanças me aprazem, mas calmaria me deixam down. Movimento é ordem. Roda da vida, lua e fases. Somos todos como ela. Cada dia tenho mais a certeza disso, as pessoas não sabem o que querem, como querem , quando querem, uns dias andam cheios, iluminados, uns dias crescentes, ate renovados como a lua nova...

Mas cuidado: Um dia tudo míngua. Somos seres inconstantes, fulgazes, o que nos faz andar hoje é o que nos faz parar amanhã, cansamos de tudo, dos móveis, da casa, da cor das paredes, o mais triste, até das pessoas...até de nós mesmos...dos nossos discursos, das nossas ideologias.

Felicidade é que tudo se renova, em cada momento, em cada instante. Devemos saber captar o instante e absorve-lo como um presente do nosso destino. Muitas vezes para isso temos que dar o salto quando é preciso sem olhar para trás, sem questionamentos, sem apreciarmos aquele "sorrisinho de aprovação" que esperamos dos seres que nos rodeiam. Somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas, pelos nossas rosas e pelos nossos espinhos.

Você sabe captar???

26 de mai. de 2006

Adormeço no silêncio da minha vida...






Apareceste na quietude do meu sonho, ilusão te tornaste... com as minhas mãos, li-te como se fosses um livro de palavras invisíveis, de páginas imaculadas escritas a sangue que dentro de nos corre, uma caixa de segredos que apenas os cegos sabem abrir...

As horas que passam parecem dias, aquilo que me prende parece inquebrável... e no entanto, estiveste sempre aqui, no meu pensamento. A vida desenha em nós momentos curiosos, em que simples palavras tem tamanha profundidade que por vezes tocam o âmago da nossa Alma.

Os meus dias agora são noites... aquilo em que eu penso, é apenas um reflexo dos momentos vividos. Uma ilusão do que somos. Estou cansada, sinto as pálpebras pesadas... fecho os olhos e vejo-te como se estivesses a minha frente. Na ponta dos meus dedos guardo os contornos do teu corpo.

As minhas mãos conhecem-te... tacteio o teu corpo, sinto os teus cabelos, os teus olhos, a tua boca, o teu sorriso...O sangue que corre nas tuas veias...

Hoje lembro-me das tuas palavras, das conversas que tivemos e do que dissemos. O som da tua voz deixa um formigueiro na minha pele, sinto a eletricidade percorrer-me o corpo. Mas o meu corpo esta cansado...

Adormeço no silêncio da minha vida, vejo-te e abraço-te. Doce ilusão...

3 de mai. de 2006

Paixão...um estado de espírito ou um sentimento?





Ontem actualizei o meu blog no msn, e tive dificuldades em pensar no que iria aqui desbobinar, pois, pois... acabo por ter esta responsabilidade aqui...escrever o que sinto, ontem talvez nem quisesse pensar no que sentia, estava mais numa onda de nem pensar.

coisas na vida que não conseguimos evitar, momentos que parecem que por brincadeirinha nos acontecem exactamente quando estamos a fugir deles. Bem... lá o Papai do céu resolveu me atirar exactamente no meio de uma conversinha sobre o último dos assuntos que ontem abordaria, paixão, sentimentos... e todos os brindes ou favas que aparecem no pacote. Duas pessoas ontem me pediram para falar comigo, e a amiga Cris lá esteve presente;

Uma delas estava radiante, apaixonadissima, cheia de novidades, com aquela cara de parva que todos nos tivemos a graça de expor, quase se ouvia a melodia de fundo, sonhos, momentos maravilhosos retirados de tardes sem fazer nada numa caminha...ou a fazer tudo, bem ali estive a ouvir, feliz pela minha amiga, mas conforme ouvia tinha sempre aquelas observações mentais como um diabinho ao ouvido: "Quanto durará esta felicidade?", "Como ficará ao fim do tombo?", la sorri, pouco falei, para não errar, ouvi, fiz o meu papel de amiga, disse que tinha muito que fazer, antes que com o meu humor negro começasse a desbobinar os efeitos secundários da paixão, desapareci.

Sai com aquele ar de alivio...portei-me bem, não passando o meu azedume para aquela alma tão apaixonada. Ainda não estava com a energia reposta, e toca o telefone... do outro lado uma alma desolada com o fim de uma paixão, esperava o conforto de umas palavrinhas de forca da velha Cris...da velha Cris, rsrsrs...aquela que eu ando a procura. O que a velha Cris diria? Coisas como: " Olha te no espelho, tu é que importas ", " levanta e prepara-te pra proxima pancada...essa foi um treino ".... até tenho saudades dessa Cris.

O que fiz eu, nada disso, ouvi dei o meu ombro, chorei junto, falei pouco pra não errar, e saí desiludida por não ter dado o que esperavam de mim, a tal velha Cris, não poderia doar a força que ainda não recuperei, mas.... estou  à procura, deve estar aqui em algum lado escondida. Até acredito que com os tombos da minha vida me tornei melhor pessoa, mais humana, mais sentimental, o interessante e que os meus amigos parecem que gostavam mais da mazinha, daquela que dizia "lava a cara, bebe um copo e segue em frente e ai de ti se te vejo chorar".

Então vou falar de paixão para desanuviar e me infernizar:

Estar apaixonado e um estado de espírito onde se sofre a paixão e se exerce. Estar apaixonado e estar exposto, ao vento, a chuva, ao medo, a desilusão, mas também a alegria. É sofrer insegurança, é exagerar aquilo que se ou reduzir a nada aquilo que se não quer ver. Estar apaixonado é, aos olhos de um observador, viver num universo totalmente irregular, desfocado, desproporcionado, surrealista, sem centro, sem geometria, sem simetria, sem perspectiva de objectividade, sem medida, onde se é caça e caçador. Isto é o que diria o observador meticuloso acerca do mundo, que se desenrola-se sob o seu olhar....um mundo de enlouquecidos, perante o mundo objectivo lá atrás - o real . O seu pânico derivaria desta comparação.

Se isto é ilusão, cada qual julgue como entender mas, das melhores ilusões experimentáveis pelo ser humano . . O mundo do apaixonado é selvagem, nele nao se pode controlar seja o que for, tudo é imprevisto, até o fim. Ah pois, o fim das paixões também e imprevisto e tão certo como tudo na vida que tem um começo.

Que vantagens teremos se também acaba?? Diria eu o poder da tranfomação, da tal cara de parvos única, de voltarmos a ser adolescentes aos 30,40....90, agora ainda acreditam que o inferno ainda é quente e distante??? Ilusão... o Inferno é ... e a paixão uma das colheres do seu caldeirão.

Vou me calar que éo melhor...

Boa semana para todos, cada qual no seu inferno particular, rsrsrs

20 de abr. de 2006

Diário de férias




O hotel: Bahia Príncipe, Punta cana

O livro: Não se escolhe quem se ama - Joana Miranda e tudo sobre o local!

A fruta: Maracujá... sempre sem açúcar

A comida: Tudo...sem me preocupar com o peso a mais

A bebida: Rum... em todas as suas variantes e cores

A fuga: O mar

O inimigo amado: O sol, amo o sol, mas apanhei uma alergia ao mesmo ao terceiro dia,rsrsrs.Doenças pós 30... das mais parvas possíveis

A musica: Bandida - kiko Rodrigues

A admiração: Povo dominicano

A utopia: Me encontrar

A conclusão: Nunca o ter vai ocupar o lugar do ser na minha vida.

"Precisa-se de muitas energias pro arriscar para viver, viver e viver...ainda tocar em uma mão e ficar! "Repito por pura alegria de viver: a salvação e pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena" (Clarice Lispector)


Aqui estou de volta. Do melhor que consegui nesses dias, poderia dizer o sol, as praias, um hotel maravilhoso, mas não, foi o tempo perdido comigo mesma, e com os outros. Li dois bons livros, conheci gente diferente, gente que do seu nada, da sua vida sofrida tinham espaço para uma imensa felicidade, trabalhavam, cantando e dançando, isso me fez pensar e me rever.

Nos últimos meses andei perdida do que realmente sou, perdi a minha alegria de viver, a minha coragem. As vezes o sofrimento nos fecha os olhos, não conseguimos ver o nosso valor. coisas e pessoas que nos tiram toda a segurança, momentos que nos fazem esquecer o valor que sabemos que temos, acabamos por.... pôr as nossas próprias qualidades em causa.

Apesar de me encontrar num hotel com todos os luxos possíveis, lembrei me de férias onde contei os tostões para pagar uma pensão, com tudo contado ao pormenor, de anos que nem de férias fui e lembrei de como me diverti naquela altura, dos amigos que fiz que passados 12 anos continuam a ser amigos. Senti algum orgulho em mim, por não ter mudado e saber que por mais que a vida me corra bem financeiramente nada vai mudar os meus valores, onde tanto sou feliz no tudo como no nada, as vezes penso que os meus momentos de maior felicidade foram no meio do nada.

Pra mim sei que o "ter" nunca vai superar o "ser".

Estava nesta altura a acabar mais um livro de Lipector que consumi em dois dias entre o sol e o mar e lembrei desta frase que publiquei acima, de um livro anterior, onde ela fala que por mais sonhos e por mais coisas que as pessoas possam ter, em consciência ou não, o que no fundo toda gente quer e encontrar uma mão e ficar, não importando o que se tem que arriscar, mesmo que seja trocar o tudo pelo nada, o certo pelo incerto.

Claro que algumas pessoas ainda não sabem a importância de se ter uma mão para segurar, e dão mais valor ao ter, ter dinheiro, ter imagem, ter a admiração das pessoas amigas e a falha acontece exactamente aí, até que ponto todo o "ter"...todos os sorrisos, todos os momentos de figurativa alegria, trazem verdadeira felicidade?

Verdadeiro preenchimento, e aquela sensação de deitarmos a cabeça no travesseiro com um sorriso estúpido de pura felicidade, acordar e dormir a sorrir a cantar, que por mais que a vida seja difícil, não corra bem financeiramente, sabemos que temos uma mão para segurar, uma mão que preenche o vazio, que ameniza os problemas, as dores e dificuldades da vida.... pois a vida não é fácil.

Como resultado desta semana, senti-me feliz de ser quem sou, como sou, as vezes pouco racional, mas real, capaz de deitar todo ter para o lixo apenas para segurar uma mão, pois... porque o fiz, e nunca me arrependerei de ter feito, mesmo sabendo como ensinamento de vida que nem sempre a mão que lutamos e que mudamos tudo para segurá-la é a que nos agarra com a mesma intensidade, as vezes é a que nos escapa por entre os dedos com a maior facilidade. Aprendi também que as vezes a mão que tu nunca esperas que seja capaz de te ser estendida é a que te levanta da lama, e te carrega no colo.

Bem... tanto blá, blá, para dizer em resumo que, vi mais pessoas realmente felizes nos países como Brasil, Cuba, Rep. Dominicana, países com imensas dificuldades, onde a vida e tão sofrida. Esta e a maior prova que "ter" nunca vai ter real relação com a felicidade, mas umas das coisas que sempre vi nestes povos foi a imensa capacidade de estender a mão, de alma aberta uns para os outros.

Estará ai o caminho da felicidade???

10 de abr. de 2006

De olhos fechados


De olhos fechados tenho tudo que quero, consigo viajar km, tocar nas estrelas, num universo que e só meu, onde tudo e possivel, onde todo amor e perfeito todas as pessoas são felizes.
De boca fechada muitas vezes digo coisas, quem sabe as mais importantes...
Sigo hoje viagem, de olhos fechados, onde em paz sei que tudo o que vem do meu coração pode ser visto de olhos fechados e ouvido mesmo no grito do meu silêncio.

8 de abr. de 2006

Regeneração


Hoje andava de carro com a minha filha, quando ela decidiu mudar o cd que tocava... coisas que as vezes acontecem por acaso mas nos fazem passar em segundos, dias, meses e até anos da nossa vida. Ela escolheu um cd que a primeira música, um sambinha agradável, alegre do grupo Revelação, me fez recordar a época pós Páscoa do ano passado, pois essa foi a música que me acompanhava em viagens constantes que fazia como se fosse um hino ao amor, a vontade de lutar, amor que eu sentia... não cantava...gritava essa letra a dançar dentro do carro, como louca... com certeza, era o que pensavam os outros, não tinha espaço para tanta felicidade. Pensava eu que ia recuperar o fulgor do amor dos tempos passados e como somos parvos, pensarmos que uma conversa séria pode resolver as coisas, resolve... por uns tempos!


Desde muito miúda apesar das prendas de Natal, sempre amei o sentido da Páscoa, o que ouvia das minhas tias, o tal sentido de nascer para uma nova vida. Costumo fazer férias sempre nesta época, pois o meu trabalho não me permite no verão, no ano passado parti meio perdida, desacreditada, parece uma sina nos meus últimos dois Natais, passei por momentos muito maus, encontro-me hoje quase do mesmo modo que estava no ano passado, sem grandes alegrias sem grandes motivos de luta, a não ser por mim mesma. Mas existe uma verdade, ou pela minha , ou mesmo pelo milagre de Páscoa, renasço sempre de alguma forma nesta época. Talvez a grande verdade seja essa, tudo parte de nós, tudo parte de um acreditar , num novo dia, numa nova chance, de voltar a fazer tudo novamente, se calhar repetir ou não erros, sorrir mais ou menos, amar mais ou menos....


Aqui estou eu sem jantar... e não me calo, acredito sim que somos capazes de regenerar, que temos que nos permitir voltar a nascer e acreditar não no amanhã mas no hoje, pois e hoje que somos capazes e e o agora que nos pertence.


Sigo de férias Segunda feira, a pedir o meu milagre de Páscoa, um novo motivo para sorrir, a possibilidade de cantar outras músicas, de fazer outras loucuras, até  me sinto mais forte pelo simples facto de acreditar.


Sim nós somos capazes de regenerar!!!!

7 de abr. de 2006

Um novo começo


Aceitei o desafio de alguns amigos para criar um novo blog só praticamente com palavras minhas, mais um vício, penso eu saudável. Mais umas horitas perdidas... e eu que ando sempre a correr. Hoje então começo este que será o retrato da minha alma, dos meus estados de espírito: "A voz do silêncio", talvez dos meus silêncios, muitas vezes será dos meus gritos. A outra face do " Metade de mim". Espero que gostem!