25 de fev. de 2011

Eu gosto...





Eu gosto do seu corpo
Eu gosto do que ele faz
Eu gosto de como ele faz
Eu gosto de sentir as formas do seu corpo
Dos seus ossos
E de sentir o tremor firme e doce
De quando lhe beijo
E volto a beijar
E volto a beijar
E volto a beijar



E. E. Cummings


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É  isso tudo!  Nem preciso dizer mais nada!


CM


21 de fev. de 2011

Indecente




Normalmente costumo postar o vídeo no final no final do post, mas a música é o tema. Hoje ouvi essa jóia dos velhos tempos e foi maravilhoso porque me fez recordar um marco na minha vida. Essa música foi a responsável pela grande mudança  de atitude da minha adolescência. As vezes, uma música, uma palavra,uma pessoa conseguem fazer isso.


Bem... a Cris desde criança sempre foi uma "maria rapaz", na infância era muito calma, extremamente envergonhada, não costumava arrumar confusão, mas não levava desaforo pra casa, todas as vezes que fiquei de castigo foi por sentar a porrada nos rapazes  e nem precisava que eles fizessem grande coisa, se subissem as escadas atrás de mim na escola para tentar observar, já comiam com uma patada.


Fui crescendo da mesma maneira, desde sempre cortei cabelo no barbeiro  do meu pai, via os rapazes com uma único interesse, apostar com eles pra ver quem andava mais  tempo no bairro na bicicleta sem mãos, quem sacava melhor cavalos, por conta disso tenho uma cicatriz na perna,saquei um tão bem que a  minha perna bateu na torneira da parede, ah e andar de skate melhor que eles. A minha melhor amiga era a vizinha da frente com 32 anos por acaso a pessoa que hoje vivo na casa dela e chamo de mãe paraíba, a minha diversão solitária era colecionar bonecas de papel e claro cuidar da horta com o meu pai e ir pra feira aos Domingos catar folhas velhas para os nossos coelhos. Meu pai sempre foi o meu companheiro e o meu herói. 


Aos 12 anos as coisas mudaram, fiquei com um corpão, o barbeiro pediu ao meu pai para eu deixar de ir lá, porque ele se sentia incomodado dos clientes passarem o tempo todo olhando  pra mim, os rapazes queriam fazer outros tipos de brincadeiras e eu já  não podia passar no cantinho da pelada de rua, na esquina lá de casa sem ser chamada de gostosa. Nem imaginam como eu odiava aquela pelada que me fazia ir a padaria pela rua de trás, bem mais longe. Comecei a cortar cabelo no cabeleireiro gay da minha mãe,  mas ainda era viciada em calças jeans largas. a minha timidez me atrofiava ao ponto de nem ligar pra ninguém nem que fosse para pedir uma informação. 


Na escola tinha conversas inteligentes com os rapazes inteligentes, apesar de ser considerada bonita fazia parte do grupo FFGEO ( feios, fracos, gordos, estranhos e oprimidos), nem era preciso dizer que era a defensora desse grupo, respeitava todos os credos e raças e odiava o grupo das meninas "pop star". 


Na 7ª série, houve um evento que todos da turma tiveram que participar, um desfile de moda na escola. eu de modelo  nem pensar, então fiquei com a decoração e com a seleção das músicas para  as pop star desfilarem, escolhi esta música para o fecho do desfile, porque  vestido final, era um tubinho azul, super sexy, só com uma manga e mais curto de um lado  que outro. No bendito dia,o  desfile começou, tudo como o esperado até que a modelo do vestidinho azul começou se sentindo mal, e não conseguiu desfilar, o vestidinho não ficava bem em mais nenhuma magrela porque era um vestido para uma "bunduda", até que a triste da organizadora olhou pra mim e disse:"Ah vc vai ficar linda nele!!" E eu dentro da minha jardineira jeans que até parecia um saco de batatas , disse: -Eu? tá louca? Bem tal foi a pressão que me enfiaram naquela  coisa , me borraram a cara toda e puseram o meu cabelo  que já  era grandinho tipo uma leoa, e me jogaram no palco. Eu era péssima naquilo do mundo das pop star, mas fazia teatro amador e adorava dançar, então pra disfarçar o péssimo equilíbrio que tinha naqueles saltos, tive que improvisar. começou a tocar essa música e eu cheia de vergonha comecei o desfile de costas, olhei  para um lado e para o outro e então virei assim meio que com as pernas abertas... pra não cair, exatamente no " tã tarã tã tã, da música, quando viro olho para o público e vejo quase todos os anormais do sexo masculino da escola de boca aberta, porque viram  o que estava dentro do saco de batatas. Entre passos curtos e paragens para me equilibrar onde eu balançava o corpo para um lado e para o outro deixei incorporar a personagem de "a provocadora" e praticamente fiz um desfile coreografia, foi a loucura! 


Isso foi no Sábado, na Segunda seguinte 10 rapazes quiseram me conhecer, vi que ia ter que conviver com aquele assédio, porque deixei que vissem que a gata borralheira, podia virar Cinderela. A forma de me manter viva então foi pegar no que eu mais gostava em mim, a força e a forma de ser mais que os rapazes, com agora o poder que eu tinha ganho de fazê-los babar, então surgiu uma Cris que continuou,  no grupo dos FFGEO, mas que adquiriu uma grande arma, a provocação, e isso me deu um poder... troquei as minhas calças semi bag, por umas justinhas e uns shortinhos, tinha como imagem de marca umas blusinhas tipo cigana com ombros de fora que a minha melhor amiga costureira fazia, além de começar a desenhar a minha roupa. Usava um brinco sempre diferente do outro, que virou imagem de marca das FFGEO,  e comecei até  no meu bairro a adorar aquele poder, já não ia a padaria pela rua de trás,  passava no meio da peladinha e ainda respondia quando me chamavam de gostosa, isso se tivesse de bom humor, porque  de mau humor só fazia um sinal feio com as mãos.Fui perseguida por um tarado durante dias, até um dia eu resolver segui-lo de bicicleta e descobrir que era casado, coitado até ficou pálido quando me viu sentada na calçada em frente a casa dele. Minha mãe só soube disso quando tinha 25 anos, ahaha, Eu achava que podia resolver tudo... tive sorte!


 Fiz da provocação, uma arma, talvez um escudo para minha grande timidez, ainda hoje sou assim,encarnei a personagem!


Vamos falar de indecência então já que é o tema de fundo?? Hummm isso dá panos pra mangas. Até que ponto esta palavra nos afeta??? Qual são os seus limites de decência??? Quantas vezes te acharam indecente??? Quantas vezes nos achamos indecentes???

Falando por mim, sou pouco crítica nesse aspeto, cada um é como é, fala do que quer, age como quer. Cada alma cada sentença.
Acho que vivemos num mundo onde se preocupam demais com um grande pudor físico, mas tapam os olhos para a indecência moral de tudo que nos rodeia.
Indecente pra mim é:
* preconceito
* hipocrisia
* falsidade
* falta de respeito pelos sentimentos alheios
* mentira
* não se lutar pelo que se deseja
* não se amar a si mesmo
* ter medo de amar
Uma listinha básica entre outras indecências comuns dos seres humanos. Ao nível físico, cada pessoa sabe o seu limite, isso pouco importa, desde que exista alguma descrição.
Aqui fica a pergunta. Pergunte a você mesmo:
O que é indecente????
CM




Decepção




E o que é uma decepção?
Definição:

Acepções■ substantivo feminino
1    sentimento de tristeza, descontentamento ou frustração pela ocorrência de fato inesperado, que representa um mal; desilusão, desapontamento
Ex.: já sofreu muitas d. amorosas
2    Derivação: por metonímia.
     esse fato
Ex.: a festa foi uma d.
3    Derivação: por analogia. Uso: informal.
     pessoa que faz algo de forma ruim ou imperfeita ou tem comportamento reprovável
Ex.: essa senhora é uma d. como secretária

Etimologia
l
at. deceptìo,ónis ‘decepção, engano, dolo’; ver 1cap-

É interessante notar que o uso informal (3) conflita com a definição (1), por sua vez muito mais fiel à origem etimológica. Pela origem, a palavra decepção deriva do conceito de ENGANO, que de forma alguma implica em julgamento moral do “outro” ou de uma situação.
A mesma palavra latina deceptio gerou, em inglês, a expressão “deception”, de sentido (só aparentemente) bem diferente do nosso uso corrente de “decepção”. “Deception” é um engano, um truque, um artifício utilizado deliberadamente para gerar uma percepção falsa. Deception sempre implica malícia.


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Porque nos decepcionamos com uma pessoa, com um acontecimento, com a vida? 
A decepção é um sentimento tão frustante, talvez seja das sensações que mais me entristece, me deita abaixo, e  me bloqueia. Será  que só acontece aos emotivos, frágeis, aos idiotas? Acredito que acontece as pessoas transparentes e humanas, apesar de me sentir idiota maior parte das vezes quando acontece.Será que somos exigentes demais, e criamos expectativas demais?
Não são ao meu ver as expectativas altas ou baixas que fazem as decepções, mas o ter fé, o acreditar.
Somos humanos acabamos também por decepcionar as pessoas, acredito que sim, Tento ser transparente nas minhas relações dizer exatamente o que penso, o que gosto e o que aceito mas não quero pra mim. Costumo dizer que gosto mais de lobos que de cordeiros, pois não acredito mesmo em cordeiros. Aprendi a agir com cada tipo de pessoa, desde que demonstrem o que são. Não vejo defeitos em pessoas que se assumem, e deixo-as à vontade pra isso, mas continuo a tropeçar em pessoas pouco claras, pior que isso continuo a errar em proporções não aceitáveis, quando  avalio inicialmente as pessoas. Isso irrita-me profundamente!
 A vida é injusta, as pessoas também, e eu só continuo a pagar por acreditar. Já sei que o que se segue é me ver a tentar decifrar as charadas comportamentais, de saber o porquê de certas atitudes. E a principal charada, o relativo conceito de “amizade”. Todas as relações são trocas, mas quase sempre sou confrontada com o fato de que várias destas antes classificadas como “amizades” não continham nenhum elemento de troca afetiva. Insistimos em não ler nas entrelinhas, em não ouvir no silêncio das pessoas, aquilo que só não dizem porque não sabem o que é, ou porque somos pouco considerados para isso. A agenda de interesses das pessoas sempre está exposta, ainda mais no mundo de hoje, o povo até a hora que vai ao banheiro publica nos seus sites sociais – nós é que deliberadamente ignoramos os detalhes, aceitamos as desculpas, para as faltas de atitude, e para as atitudes de me#da, que acabam por ser a relevante falta de vontade. Só quando a decepção acontece é que eu avalio o meu grau de imensa estupidez.
REAGIR… é a palavra de ordem. Voltar a agir,  continuar a ser justa e tentar  fazer com que todas as pessoas que cruzem o meu caminho nos próximos tempos, não sejam expostas a minha falta de fé nos seres humanos.
CM
 "Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer."

(John Powell)